Domingo, 9 de Maio de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Acolhimento

Só pessoa muito insensível, é que não reage às notícias que diariamente nos chegam dos dramas que se vivem no Mediterrâneo Oriental, mais concentrado nas Costas da Turquia e Ilhas Gregas. Milhares de pessoas, vítimas das guerras na Síria e em muitos dos países do Norte e Nordeste de África (principalmente, mas não exclusivamente destas) […]

Só pessoa muito insensível, é que não reage às notícias que diariamente nos chegam dos dramas que se vivem no Mediterrâneo Oriental, mais concentrado nas Costas da Turquia e Ilhas Gregas. Milhares de pessoas, vítimas das guerras na Síria e em muitos dos países do Norte e Nordeste de África (principalmente, mas não exclusivamente destas) anseiam desesperadamente chegar a terra firme. Um grande número deles não o consegue. São vítimas da fome, de doenças, e mesmo, uma grande parte, dos naufrágios das pequenas embarcações em que se atreveram a viajar. 

Sejamos sinceros. Não se podem criticar de ânimo leve, países como Turquia, Grécia e todos os da costa mediterrânica oriental, por resistirem a receber tamanho quantidade de pessoas, carentes de tudo, e que em boa verdade, pouco terão para dar às comunidades onde aportam. 

Por isso valorizamos uma ideia que nos pareceu curiosa, de Pedro Gois, um sociólogo, da Faculdade de Economia, Centro de Estudo Sociais da Universidade de Coimbra, que expressa num artigo de opinião que lemos no Jornal Público, de 3 de março passado, propondo uma Operação de Acolhido para a União Europeia, copiando uma ideia que nasceu num país que nos é próximo – o Brasil. Face a uma pressão migratória sem precedentes na fronteira com a Venezuela, que desde 2017 foi responsável pela entrada no Brasil de várias centenas de milhares de venezuelanos, foi criado uma operação de acolhimento e integração de imigrantes e refugiados, coordenada pelo Governo Federal, implementado pelo Exército Brasileiro, com o apoio de várias agências da ONU e mais de cem entidades da Sociedade Civil. Que tem por fim último a “interiorização” isto é – o movimento voluntário de venezuelanos para irem para outros estados brasileiros, tendo como objetivo uma mais adequada integração/inclusão socioeconómica desses cidadãos, que um regime despótico obrigou a deixar as suas casas e os seus haveres. 

É evidente, que uma operação destas tem um limite transitório no tempo, porque é expectável que este regime despótico e ditatorial que (des)governa a Venezuela, não demore uma eternidade. 

Porém, o drama de refugiados não se esgota, na Venezuela. A grande maioria dos países do Norte e Centro Africanos, continuam a ser os grandes geradores desta corrente migratória, porque o vazio criado, há quase um século, pelas saídas das potencias colonizadoras europeias ainda não foi preenchido. As condições de subdesenvolvimento da generalidade daqueles países, vai naturalmente obrigar as autoridades europeias e daqueles países africanos, a encontrar parcerias para o futuro, ideia que oportunamente aqui partilharemos.

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