Até aqui tudo bem, o que me viria a surpreender seria um comentário em destaque de um presumível eleitor, afirmando “Simplesmente como deve ser um Presidente de Câmara, popular e simpático”.
Tal pronuncia evidencia algo que mina o sistema político nacional e prejudica o desenvolvimento das autarquias com parcos recursos e reduzida estrutura organizacional.
Os autarcas, e quem a estes cargos se apresenta, podem, sem qualquer dúvida, ser afáveis. Porém, propagar o pensamento coletivo que esta é a característica predominante para o bom desempenho do ofício tem resultado em anedóticas governações.
O encargo de gerir os desígnios da população de todo um concelho só poderá ser eficazmente realizado por quem se revista de valias técnicas que sejam úteis ao crescimento municipal, portanto, a título de exemplo, conhecimentos base de gestão, economia, direito, contratação pública, fundos comunitários, entre outras competências.
Os inícios de cada ano dotam-se de particular sensibilidade aos momentos de reflexão, ponderação e projeção daquilo que serão os próximos doze meses. O presente reveste-se de particularidade, uma vez que existe um ato eleitoral que implicará com o quotidiano de todos.
Neste prisma, sendo nos cada vez menos e, por consequência, limitando-se os elementos da sociedade disponíveis para a vida pública, é com preocupação que encaro o próximo sufrágio.
A ausência de soluções faz com que as escolhas para o efeito sejam pouco acertadas, não se evidenciando o rigor que é imprescindível à material evolução dos nossos concelhos e freguesias.
A nossa transmontice, caracterizada pelo comportamento de nos deixarmos invadir pela transparência e simpatia do próximo, que tanto nos deve orgulhar, apenas tende a mostrar-se prejudicial nos momentos exigentes de superior racionalidade.
Um executivo que somente sabe sorrir, acenar e comparecer a inaugurações, será sempre o rosto de uma governação sem pulso, cedente a caprichos partidários, sem visão estratégica e de captação de recursos para os nossos territórios do interior que tanto necessitam.
Possuímos o privilégio de viver num meio pequeno, que nos concede a benesse de facilmente podermos conhecer aos candidatos autárquicos e obter uma visão plena daquilo que eles representam e das respetivas capacidades.
Neste pressuposto devemos priorizar o futuro das gerações e localidades em detrimento dos fanatismos partidários e pensar, com honestidade, nas capacidades de governação dos diversos proponentes.
Se pretendemos uma governação séria encontramo-nos em dívida com um voto revestido de igual seriedade. De pouco nos valem governantes sorridentes, se não tiverem a mínima ideia do que se propõe a fazer, nem tão pouco das competências de um autarca.



