Não é somente do despovoamento, envelhecimento, acesso limitado a serviços ou ausência de infraestruturas e mobilidade, de que vêm padecendo os concelhos de menor dimensão do nosso território.
Igualmente nos mostramos sofredores da síndrome do autarca fofinho, sendo este entendido de forma ambígua. Se, por um lado, os representantes locais desempenham um papel determinante nas comunidades, devendo portarem empatia e mostrarem-se conectados com as populações, por outro, a abordagem mais cínica serve de máscara à ausência de soluções, políticas e resultados.
Nas autarquias de superior dimensão, a acessibilidade e simpatia são componentes sobrevalorizadas, as cidades vão desenvolvendo e crescendo à medida que o país acompanha o resto da europa e a criação da sensação de que o político é alguém simples e acessível – que o deve ser – é hipervalorizada e superioriza-se a outras valências.
Em sentido adverso, os nossos territórios mais esquecidos necessitam de alguém que seja bem mais que fofinho. Assentir, acenar e sorrir não são os atributos que mais se aclamam para as mudanças de paradigma.
Contudo, a outra hipótese com que nos encontramos familiarizados, remeto-nos para a ideia absolutista do poder. Aquela em que a mesma pessoa, ou um grupo restrito, manuseiam os desígnios das entidades do concelho, nomeadamente: câmaras municipais; juntas de freguesia; misericórdias; associações; cooperativas, etc.
As imediatamente supra indicadas funcionam em jeito de círculo vicioso. Por intermédio das misericórdias, das associações e das cooperativas, tentam chegar às juntas e às câmaras, que perspetivam controlar com os empregos que existem para oferecer e manipular nas cinco.
As alternativas políticas oferecidas às populações não se têm sequer equiparado as respetivas necessidades. O que define um bom autarca é a capacidade de se interessar e resolver problemas estruturais que vêm prejudicando a comunidade, devendo para o efeito munir-se de disponibilidade e relevante capacidade combativa para defesa dos interesses municipais.
É de difícil entendimento o motivo que fundamenta as repetitivas opções por fofinhos e absolutistas que, apesar de diferentes, guiam-se pelo mesmo objetivo de se autoelegerem, sem qualquer espírito de missão e tendo numa eleição autárquica uma escassa oportunidade de valorização salarial, situação que não sucede no privado porque, de facto, são pouco capazes.



