Segunda-feira, 23 de Maio de 2022
Paulo Reis Mourão
Economista e Professor Universitário na Universidade do Minho. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Modernidade, Evolução e Retrocessos

A Venezuela era, na década de 1950, um dos 30 países mais ricos e desenvolvidos do mundo. O Iraque era, em 1979, o país mais desenvolvido de todo o Médio Oriente.

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O Afeganistão era, na última semana, um país bem diferente do de hoje. Três exemplos que mostram como, quando se quer, conseguimos ‘retroceder’ para uns, ‘empobrecer’ para outros – para mim ainda ‘transformar radicalmente’ no espaço de pouco tempo. A História/História Económica não nos cansa de ensinar como maus políticos, más políticas, absolutismo de poder e de para-poderes conseguem ‘retroceder’ para uns, ‘empobrecer’ para outros – para mim também ‘transformar radicalmente’ no espaço de pouco tempo.

Diversos analistas do Islão já o demonstraram – grupos como os do Estado Islâmico e suas ramificações (inclusive a subsaariana que pressiona Moçambique, entre outros países) são resultado do aproveitamento de terror que máfias organizadas exploram com o misticismo/roupagem que a religião empresta. Se as nossas máfias suburbanas se organizassem, se o Estado deixasse de adoptar a velha máxima ocidental ‘deixa (o lixo) para o (rato) menos ruidoso’ e se a corrupção facilitasse o controlo da economia por quem controla a segurança das ruas, depressa viraríamos Venezuelas, Iraques ou Afeganistãos. E no entanto, como um grande politólogo – melhor politólogo do que quando foi político – referia ‘a juventude é a chama de qualquer revolução’. Olhe-se para onde olham os jovens e veremos aí os valores que perseguem e os valores que suportaremos no futuro. A juventude dos seminários islâmicos, ostracizada pelo mundo ocidental, crescem a ver Cristianos Ronaldos e Messis, mas crescem a perceber melhor as bombas americanas nas aldeias erradas e os apoios ziguezagueados do Ocidente às forças político-partidárias imaturas dos seus países. A juventude de Caracas percebe melhor os senhores do narco-tráfico que dão o pão e a proteção do que os discursos de Washington. Os jovens sunitas viram em Saddam o hábil que colocou uma minoria no poder. Esquecemo-nos dos jovens e depois perdemos o futuro. Lenine sabia que são eles a chama da revolução. Nós, infelizmente, já não temos jovens com o peso económico e demográfico que outros têm (veja-se o papel insignificante das ‘jotas’ no debate político da atualidade europeia). Por isso, quando oriento jovens árabes nos seus Doutoramentos faço-o por mim, por eles, mas pela Humanidade que nos une.

Uma árvore demora décadas a crescer e minutos a cair. Infelizmente, tais metáforas de Esopo continuam a aplicar-se nas sociedades pós-modernas.

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