Segunda-feira, 25 de Outubro de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Não pode valer tudo

Esta campanha eleitoral autárquica, revelou-nos comportamentos de alguns dos agentes que nela participaram, que julgávamos já banidos das sociedades democráticas.

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A intervenção de António Costa, naquele célebre discurso em Matosinhos, a propósito do encerramento da refinaria da GALP, inscreve-se, claramente, neste comportamento do quero, posso e mando.

De resto, esta sensação de poder absoluto, inscreve-se já na génese deste Governo, aquando da sua constituição há cerca de dois anos, ao termos sido brindados com o maior Governo de sempre, com dezassete ministros e cinquenta Secretários de Estado. Um gigantismo verdadeiramente pouco útil, sobretudo num momento em que a pandemia reduziu drasticamente o tempo de trabalho e a mobilidade social. Pessoalmente, não conhecemos, nem nunca vimos em qualquer ação governativa, a maior parte dos secretários de estado, cujos nomes, (atrevemo-nos a dizer), a generalidade da população nem sequer conhece.

Mandaria o bom senso que se tivesse feito uma remodelação no número destes agentes políticos, de forma a ajustar-se a um tempo que foi difícil, claro, mas que recomendaria contenção e até paciência. O que verdadeiramente não aconteceu, nestes últimos tempos.
É tão evidente esta inutilidade que praticamente durante o tempo em que decorreu a campanha eleitoral ninguém viu os membros do Governo. Na prática, viu-se o Dr. António Costa a discursar de manhã no norte do país, à tarde no centro e à noite no sul, ou mesmo nas ilhas.

De resto, uma inovação também de António Costa que sendo Chefe do Executivo decidiu que era o tempo de “vender” a aplicação do Plano de Recuperação e Resiliência – PRR, cujas verbas parece que irão ser a poção mágica que vai transformar o nosso país. Quando se sabe que os problemas reais que as comunidades locais enfrentam, tem a ver mais com o modelo centralizado da governação do que com a falta de meios financeiros. Estes serão sempre bem-vindos, claro, mas não irão transformar, por si só, a nossa débil economia, que necessita de uma iniciativa privada pujante, porque é essa que produz a riqueza que nos poderá aproximar dos padrões dos países europeus. Alguns dos exemplos podem ser encontrados nos que se encontram próximos de nós.

Esta campanha para as autarquias locais foi mais uma ocasião perdida para ouvir e conhecer os reais problemas das Freguesias e dos Municípios. Neste sentido, receamos que esta campanha tenha sido uma pura perda de tempo. Aguardemos e deixemos que o tempo se encarregue de nos dar as respostas.

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