Domingo, 14 de Agosto de 2022
Barroso da Fonte
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Relator da maior tragédia da guerra do Ultramar apresenta livro em Montalegre

Dia 21 de Junho de 1969 ocorreu a maior mortandade, em Moçambique, na travessia do Rio Zambeze.

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Morreram 108 dos 150 militares que partiram de Lourenço Marques, destinados ao norte daquela ex-Província Ultramarina. Essa companhia tinha partido da capital, rumo à rendição de outro agrupamento que terminava a Comissão de serviço.

Esses quatro pelotões partiram de Lourenço Marques sob o comando de um simples alferes miliciano, de nome Rosário. Estava previsto liderar essa responsabilidade um capitão que à última hora não pôde seguir. Esse alferes acabaria por confrontar-se com a travessia no Batelão de Chupanga para Mopeia. O Batelão chamava-se «S. Martinho» e era propriedade privada de Amâncio Pereira. Os dois concordaram, carregar nesse meio de transporte, quer os 150 militares, quer as 30 viaturas, quer materiais de guerra e bens pessoais. A carga era peso a mais e partiu num sábado pelas 16h57. Um vento estranho, por ser muito forte, terá agravado o peso excessivo, pelo que se afundou com toda a carga. Dos dois responsáveis sabe-se que o alferes morreu no acidente e do Amâncio Pereira, foi identificado o corpo, mas a cerca de 70 km de distância.

Lê-se no relatório que o batelão, além de propriedade privada, estava ilegal, como outros, noutros locais. Possivelmente não havia seguros, nem o seguro cobria os mortos e os vivos.

José Conteiro, no Jornal O Portomosense, de 2 de abril de 2009, escreveu: «foi o maior desastre em custo de vidas humanas de toda a história da guerra colonial, mas nem por isso se sabe muito acerca das circunstâncias em que ocorreu, nomeadamente porque é que apenas ia um oficial miliciano a bordo, com o posto de alferes. Nesse acidente morreu o nosso conterrâneo bordo». José Conteiro acrescenta: «alguns corpos não foram recuperados e terão sido devorados por crocodilos e outras espécies locais».

Como foi possível entregar 150 militares, 30 viaturas com todos os pertences dessas (quase todos praças), mais os equipamentos e material de guerra, foi erro gravíssimo que as 23 páginas do relatório não esclarecem. Nesse documento se mencionam o major: Mário Pádua Valente, chefe do Estado Maior e o Comandante de setor Evaristo de Oliveira Barreto. Sabe-se ainda, pelos poucos relatos que na altura correram, que o General Costa Gomes, visitou a zona do acidente e que, de todos os militares, apenas um deles foi louvado.

Carvalho de Moura, não por ter qualquer implicação na tragédia, mas por ser comandante da zona de Mopeia, foi, durante um mês, o oficial incumbido de liderar o complicado desfecho.

53 anos depois, no exato dia em que escrevo esta nota, informo que no próximo dia 2 (sábado), apresentará o livro em que relata a tragédia mais mortífera dos 13 anos da guerra do Ultramar.

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