Quarta-feira, 6 de Julho de 2022

Saúde e Medicina (I)

A pandemia pelo Covid-19 nascida na China e que se espalhou rapidamente e em força por todo o mundo, praticamente não nos ensinou nada de novo.

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Para a combater, adotámos as medidas descobertas e preconizadas há mais de cem anos: higiene e vacinas. Foram estas as medidas usadas no combate a duas terríveis doenças infeciosas que surgiram no início do século XX: a sífilis, doença de transmissão sexual devido à falta de higiene e a tuberculose, provocada pelo bacilo de Koch e que atacava principalmente os pulmões.

Em França, em 1900, cerca de cem mil franceses morriam todos os anos de tuberculose e contavam-se cerca de 7 milhões de sifilíticos, ou seja, mais de 1 francês em cada 6. A tuberculose foi praticamente vencida com a vacinação – vacina anti-tuberculosa (BCG) e a sífilis, com as medidas de higiene. Tudo semelhante ao que fizemos agora face ao Covid-19. Aprendemos isso nas lendas e mitos da História da Medicina com Esculápio que teve duas filhas: Hígia, da qual nascerá a higiene, que evita as doenças, e Panaceia, que as cura. Depois, veio a ciência médica a comprovar os factos e a encontrar as soluções para os problemas com que se ia confrontando. A higiene e a desinfeção impuseram-se graças a dois notáveis cientistas: Louis Pasteur e Joseph Lister. Louis Pasteur (1822-1895), químico francês, desenvolveu a teoria dos germes e da fermentação.

As descobertas de Pasteur levaram ao uso de desinfetantes no tratamento das feridas e na cirurgia – um antisséptico (ácido fénico) desinfeta a ferida e mata todos os germes que podem entrar em contacto com o operado. Recorde-se que não havia antibióticos para tratar as infeções, portanto era necessário evitá-las.

Joseph Lister (1827-1912), cirurgião escocês, introduziu o conceito da assepsia em cirurgia, segundo o qual era preciso operar com o máximo rigor de higiene e desinfeção. Divulgou o ácido carbólico como antisséptico, que desinfetava as feridas e matava todos os “micróbios”, evitando, assim, a infeção. Era o início da assepsia. Até aí os cirurgiões operavam com o que traziam vestido, casaca e colete, os instrumentos cirúrgicos nem sequer eram lavados. Para se ter uma ideia da importância da assepsia veja-se que a sua prática levou a que a mortalidade, após a intervenção cirúrgica, decaísse de 50% para 5% e após o parto de 20% para menos de 0,3%.

Na primeira metade do século XX, a higiene “trouxe” a água potável, a água canalizada, as retretes e o saneamento básico. Face a estes progressos, considera-se que os primeiros anos do século XX foram para a medicina os anos da higiene. Devemos continuar a educar as pessoas e ensinar-lhes que “o asseio dá saúde”, ou seja, o lema “A saúde também se educa” continua a ser muito atual.

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