Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2021
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Ser berço de Taveira da Mota foi um privilégio

Há homens comuns que valem por gerações

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Taveira da Mota foi um desses homens «que trabalhou como escravo e viveu como príncipe», no dizer da sua filha mais nova, Sara Mota. Tal como aqui noticiei, na penúltima semana, a Casa de Trás-os-Montes do Porto foi uma espécie de centro do mundo para os Transmontanos. A Instituição regionalista completou 35 anos. E nenhuma data era mais sugestiva para assinar os 92 anos de um dos maiores empreendedores da sua e nossa gerações. O primeiro presidente da Direção dessa Casa que ele «sempre trouxe no coração» foi uma espécie de extraterrestre que fez de Vila Real, sua cidade natal, o centro da Portugalidade. Foi escravo no trabalho, adivinho nos negócios, perspicaz na interpretação dos acontecimentos, ousado na aventura, humano nas fragilidades alheias, rigoroso  no cumprimento dos seus compromissos, equitativo para com aqueles que lhe batiam à porta, bondoso com os simples, austero e firme contra quem o afrontava, orgulhoso da Família, leal e justo para com os amigos, um cidadão que honrou Vila Real e todas as vilas e cidades do norte e centro do país onde apostou investir.

Se todas as freguesias, vilas e cidades do País tivessem tido um «Taveira da Mota» com esta grandeza de alma, com esta  vontade férrea e com este espírito de justiça, Portugal teria hoje uma sociedade mais sensata, mais cultura, mais equitativa e mais apetecível para velhos, para novos e sobretudo, para aqueles que aqui nascem, aqui gostam de voltar, mas só depois de garantirem fora, aquilo que dentro nunca conseguiram.

Conheci Taveira da Mota em Chaves, quando ali (no largo do Anjo) montou o primeiro supermercado Novo Sol. Tive a sorte de, por concurso público, ter sido o primeiro funcionário, do então, SNE (Centro Nacional de Emprego), hoje IEFP (Instituto de Emprego e Formação Profissional). O Novo Sol foi instalado no Rés-do-chão desse Centro, o que me permitiu familiarizar-me com Taveira do Mota. Foi uma amizade para meio século.

Em 1984, com Dialino Esteves e Rui Teixeira Alves, todos transmontanos, entendemos fundar no Porto, onde todos trabalhávamos, a Casa Regional. Todos pertencíamos à geração do pé raso. Precisávamos de um padrinho rico e daí que eu tenha tido o atrevimento para o convidar.

–Amigo Taveira da Mota, quero fazer-lhe o convite para apadrinhar a Casa de Trás-os-Montes do Porto. E assim nasceu.

Dia 9 esta Casa convidou a Família e as câmaras de Vila Real, Bragança, Porto e a freguesia de Paranhos, mais o Clube de Vila Real e o Boavista. Todas estas instituições corresponderam: todas exaltaram a figura deste Vila-realense. A vereadora Eugénia Almeida, em nome de Vila Real, teve o cuidado de ali fazer uma síntese muito gratificante para todos, a condizer com o voto de pesar, unânime, que a AM exarou em ata, aquando da sua morte, aos 92 anos.  Espero que Taveira da Mota mereça ser perpetuado na toponímia da Capital Transmontana.

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