Quarta-feira, 29 de Maio de 2024
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Um Governo virado para a Europa

Luís Montenegro apresentou na pretérita semana a lista de ministros a integrar o XXIV Governo Constitucional, evidenciando-se a manutenção do número de ministérios, apesar da junção de pastas com novas denominações que abrem portas ao surgimento de um novo ministério com incidência na Juventude e Modernização, que será liderado por Margarida Balseiro Lopes.

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O indigitado Primeiro-Ministro enfrentava um desafio que julgo ultrapassado, prendendo-se com as escolhas para liderar as pastas ministeriais. Se, por um lado, exista quem creia que para se poder deter poder de ação e intervenção com maior celeridade é necessário atribuir os cargos de responsabilidade a personalidades com experiência política e de governabilidade, o que se consubstanciaria no ressurgimento de figuras do PSD. Por alternativa, também há quem acredite no ato de trazer para o campo decisório da política novas personalidades – externas até ao próprio partido – que, com a devida capacidade de adaptabilidade, simbolizem inovação e sejam portadores de uma postura rejuvenescedora tão necessária ao contexto político nacional.

Perante tal, Montenegro conseguiu elaborar uma simbiose que lhe permitiu extrair parte das duas vertentes, fazendo-o com a atribuição de pastas a Paulo Rangel e Nuno Melo os quais detêm, incontestavelmente, experiência política e, simultaneamente, com a apresentação de alguns ministros de fora da esfera política do partido, aproveitando ainda para lançar quadros futuros do PSD como é caso de Leitão Amaro e da já mencionada M. Balseiro Lopes.

Não bastante, em época que tanto se tem abordado o PRR, a sua execução e, por inerência, a União Europeia, o líder do PSD mune-se de ministros com experiência europeia como é caso do Paulo Rangel que é eurodeputado desde 2009.

Na mesma senda surge o Nuno Melo, que conta com os mesmos anos de atividade parlamentar europeia que P. Rangel, ocupando agora a pasta da Defesa com o simbolismo de também ter sido detida por P. Portas quando o último era, igualmente, Presidente do CDS.

No ambiente e energia, é escolhida a Maria da Graça Carvalho, integrante do governo de Durão Barroso e Santana Lopes e, naquilo que se mostra relevante para análise, eurodeputada durante dois mandatos e conselheira de Barroso quando o referido era Presidente da Comissão Europeia. Na agricultura e pesca, o ex-autarca minhoto, contempla igualmente no seu curriculum o cargo de deputado ao Parlamento Europeu desde 2009.

Se o hodierno governo europeísta se traduzirá em resultados prósperos para o país, apenas o futuro poderá confirmar. Porém, fica na retina que estamos perante uma 17 pastas, sendo que pelo menos três delas são ocupadas por personalidades oriundas de territórios de características semelhantes às do nosso – 2 Viseu e 1 Castelo Branco – ficando os transmontanos, como infelizmente é frequente, afastados dos lugares de destaque do poder decisório.

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