Quinta-feira, 29 de Julho de 2021
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Uma sala de visitas renovada

Assim, se abre a Avenida para a ela atrair, de novo, os vila-realenses – os que gostam de ir ao café, à esplanada; os que gostam de passear; os que até preferem brincar”

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Estamos na sala de visitas de Vila Real!”. O Arq. Belém Lima não escondia alguma ironia. Mas, reconhecidamente, também lhe atribuiu o significado com que todos identificamos a Av. Carvalho Araújo. Éramos assim convidados a um passeio pela história desta nossa cidade. E como eloquentemente foi demonstrado, dali, entre o edifício dos Correios e o da Caixa, se iniciou uma viagem retrospetiva que serviu de base ao projeto.

Vila Real nasceu na Vila Velha – aceita-se o foral de D. Dinis (1289) como fundador – para povoar este Interior. Começou por crescer para a Rua Nova e, com passos tímidos, foi avançando para Norte: a Casa de Diogo Cão, a Casa dos Marqueses (séc. XV) e o convento de S. Domingos, em 1421. (Como seria interessante uma iniciativa que lembrasse estes 600 anos – 1421-2021!… Podia ser um concerto. Talvez no novo auditório, junto ao Tribunal). Se da fundação até ao início do séc. XV temos a Vila Real a pé, deste ao séc. XIX é a Vila Real do cavalo. Na década de 30 do século XX passa a ser a Vila Real, já cidade desde 1925, do automóvel. Entretanto, a Avenida foi-se estruturando. E houve o tempo de campos de cultivo, da construção de casas de nobres, de conventos; o tempo das feiras, do Jardim das Camélias, dos nossos Champs Elysées; o tempo da terra batida e o tempo da calçada em granito e calcário; o tempo de construção e demolição, o tempo do fontismo e o tempo de Duarte Pacheco – os Correios, o Palácio da Justiça e a CGD.

Estes são tópicos, uns poucos, do estudo que foi feito sobre a nossa cidade e a nossa Avenida para ser proposta a intervenção que despoletou reações e adesões, críticas e aplausos, cuja execução se aproxima do fim. O à vontade que Belém Lima manifestou nas explicações ou na resposta a dúvidas levantadas são convincentes. E é louvável, em absoluto, o sentido pedagógico destes passeios pela renovada sala de visitas de Vila Real. Aquando do Polis, fugia-se ao esclarecimento e ao debate. Agora, debateu-se, ouviu-se, argumentou-se. De um lado e de outro. Não se pretende que todos aceitem todos os pontos de vista do Arquiteto e da sua equipa. Eu próprio continuo com algumas dúvidas.

Mas fiquei convencido que, assim, se abre a Avenida para a ela atrair, de novo, os vila-realenses – os que gostam de ir ao café, à esplanada; os que gostam de passear; os que até preferem brincar -, mas também se criam melhores condições para mostrar parte significativa do nosso património a quem nos visita.

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