Quinta-feira, 25 de Abril de 2024
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Fontaínhas Fernandes
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Liga dos Amigos do Douro Património Mundial

Desenvolver o interior é desenvolver o País: o caso da Linha do Douro

O desenvolvimento do interior e a coesão territorial passaram ao lado nos debates televisivos entre os principais partidos políticos e não tem sido prioridade da campanha eleitoral.

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Pela sua relevância, este tema deveria ter maior atenção e ser objeto de discussão pelos partidos políticos e pelos candidatos a representantes da Região para o novo ciclo de governação que se avizinha.

Ambicionar a coesão territorial para o País exige promover projetos estruturantes para um interior adiado, com consequências nefastas para as gerações vindouras. Vejamos o caso da Linha do Douro!

A comunicação social nacional divulgou recentemente informação das Infraestruturas de Portugal que comprova que a eletrificação dos troços ferroviários da Linha do Douro tem data indefinida. Esta notícia faz da Linha do Douro a mais atrasada do plano de modernização ferroviária nacional, não sendo uma prioridade para o País.

Contudo, permanece o interesse estratégico neste projeto no transporte de mercadorias e de pessoas, sendo óbvio o impacto no desenvolvimento da região. No plano turístico, a Linha do Douro permitirá conectar quatro patrimónios da Humanidade: cidade do Porto, Alto Douro Vinhateiro, Côa e Salamanca, com vantagens no desenvolvimento económico do Interior Norte.

Para os sucessivos atrasos registados nos últimos anos têm sido invocadas razões de diversa ordem, não se enquadrando o projeto no Portugal 2020. Também não está previsto no novo quadro comunitário financiamento para o troço entre o Pocinho e Barca d’Alva, o qual deverá ser assegurado pelo Orçamento de Estado ou outras fontes de financiamento.

Seria bom ouvir dos candidatos propostas alternativas. Por exemplo, o Fundo Ambiental que tem financiado redes nos maiores centros urbanos, sob o chapéu da descarbonização, pode ser a solução e um compromisso. Centrar a alocação deste fundo apenas nos principais centros urbanos e nas regiões mais desenvolvidas, está longe de ser uma solução socialmente justa e comporta fortes custos no futuro.

Será este o País que coletivamente pretendemos? Os sucessivos atrasos na modernização da Linha do Douro alimentam a descrença no Estado e afasta o compromisso com a coesão territorial. Para além das consequências em termos de desenvolvimento da Região, relembro que a falta de investimento na ferrovia contribui para agravar o crescente esvaziamento populacional, a que se associa uma natural perda de confiança da Região.
Pelo “andar da carruagem” da campanha, percebe-se que a coesão territorial não é prioridade nacional!

É tempo de apresentar propostas que, num contexto de acelerada transformação da sociedade, possam garantir um processo efetivo de convergência do Interior.

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