Quinta-feira, 30 de Junho de 2022
Luís Pereira
Luís Pereira
Historiador e Arqueólogo. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

É só filmes e cenários…

Se bem que é com espanto e orgulho que sabemos que a Hollywood quer realizar filmagens em Portugal, já os municípios esmeram-se a mostrar o melhor cenário que têm para oferecer

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Vila Real oferece o circuito internacional, outros municípios pretendem mostrar que também têm algo de maravilhoso para conseguir passar alguns segundos ou minutos num filme internacional. 

Mas de filmes estamos nós fartos! Cenários há muitos e protagonistas locais também, mas serão merecedores de um Óscar? Até parece algo saído de uma comédia, do género Lampião da Estrela do Herman José, cheio de passagens cómicas de burlões. 

Após a covid-19 e todas as restrições perfeitas para justificar o que nunca houve vontade para fazer, e antes que venha a 6ª vaga, divulga-se um grande plano cultural para todos, em que aparentemente há uma aposta no setor cultural em Vila Real.

O certo é que se tem visto mais atividades culturais na cidade, algumas visitas guiadas, receção de grupos de visitantes aos museus vindos de outras instituições e de escolas, no entanto aquele plano cultural de salvaguarda do património cultural ainda continua na gaveta pois os bens culturais imóveis existentes na cidade continuam a ser ignorados. 

É fácil de aperceber que os ditos “achados arqueológicos” de duas fontes cobertas na Rua Marechal Teixeira Rebelo continuam ao abandono e sem digna valorização mas sim destapadas e a atulhar de lixo urbano, sem esquecer que o penedo com Arte Rupestre existente na mesma rua continua como sempre esteve, ignorado mesmo à frente dos nossos olhos. 

Voltando aos filmes, que também é cultura, e para não ser só a grande aposta na música e no automobilismo é sempre bom lembrar o Plano Estratégico de Cultura de Vila Real, na página 57 (Património Arquitetónico Edificado) onde encontramos a verdadeira vertente cultural deste executivo, ao lembrar a obra arquitectónica de Nadir Afonso, a Panificadora Panreal, e assumir que era um marco da arquitetura industrial (mas que não quiseram salvaguardar) e que está presente na memória da cidade, mencionando até que “o fim do edifício e os esforços civis para o salvar foram documentados em filme” (e sem apoio e vontade da autarquia, claro!). 

Se para já ainda não temos um Óscar, pelo menos o documentário “1965 | Panreal, um edifício de Nadir Afonso” do cineasta José Paulo Santos já ganhou o prémio Augusta Melhor Documentário na 19º Edição do Festival Internacional de Cinema Independente (Braga), no entanto por cá parece não convencer ninguém.

Para finalizar: se o filme que gravarem na Bila ganhar o Óscar, será que é o verdadeiro ou uma cópia feita em molde como estamos habituados a ver com os trofeus dados localmente?

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