Sexta-feira, 7 de Maio de 2021
Mário Lisboa
Tenente-Coronel da Força Aérea. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

“Ser ou não ser de Vila Real, eis a questão”

A cidade de Vila Real, a minha terra, conseguiu sempre criar pessoas com elevado nível de humanidade na ajuda aos pobres e aos mais desfavorecidos.

A cidade de Vila Real, a minha terra, conseguiu sempre criar pessoas com elevado nível de humanidade na ajuda aos pobres e aos mais desfavorecidos.

Naquele tempo, o padre Henrique, um senhor, tinha a conferência de S. Vicente de Paula, uma instituição que levava comida a casa daqueles que dela precisavam. Era assim nos anos 50. Era assim Vila Real, era assim a Bila.

Realmente, o tempo em que vivemos é difícil de definir, pois há muita ingratidão, ou seja, mau agradecimento àqueles que nos fizeram bem é, pode dizer-se, o prato do dia.
Aqui, na região de Lisboa (Sintra), onde vivemos, é mais notório o desprezo e abandono a que se assiste, de uma maneira confrangedora. Felizmente que em Vila Real, este tipo de situações, para quem precisa, ainda não acontece.

No entanto, e dentro deste contexto, existiram vila-realenses autênticos, que procuraram estar sempre por dentro dos problemas da Bila e de toda a região envolvente, já falecidos:
Engenheiro Tomás Espírito Santo, notável conhecedor dos problemas do ambiente, e antigo governador civil de Vila Real, não com fins políticos, mas sempre um defensor da Bila e da região envolvente.

Carlos Fernandes, empresário, filho de Antoninho do Talho, mais conhecido pelo seu amor à terra, piloto civil, grande entusiasta do aeródromo, que idolatrava.
Francisco Cardoso Rocha, que se fosse vivo, teria um enfarte de miocárdio com o fecho da Linha do Corgo e outras vias estreitas, que faziam parte do sistema de mobilidade daqueles que, vivendo nas pequenas aldeias, sentiam-se vivos por poderem apanhar o comboio de e para Vila Real.

O tenente Abreu, explicador de francês, que avesso à política de Salazar, viveu momentos difíceis por ter sido expulso do Exército, aquando da “Revolta da Madeira”.

O Sport Clube de Vila Real, de que todos os vila-realenses se orgulhavam, onde pontificava o Zé Vilela (Zé Brasileiro), hoje médico em Cascais, o Abel Passos, um senhor do futebol, o Melo, os Cesteiros, o Abílio e o Adelino Brioso, o Quim, os irmãos Machado e outros que o dever da minha memória não consegue cumprir.

Finalmente, esperemos que todos os vila-realenses não residentes, mas que têm o coração na sua terra, mantenham os mesmos laços de ligação sempre latentes, para sempre o espírito autêntico dos vila-realenses, residentes ou não, irá continuar ao longo dos tempos inquebrantável.

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