Segunda-feira, 4 de Março de 2024
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Luís Pereira
Luís Pereira
Historiador e Arqueólogo. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Também gostava de acreditar

Que passados 10 anos de mandato autárquico em Vila Real a mudança fosse mais avançada, sei lá, talvez para o século seguinte!

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Gostava de acreditar que em termos de política patrimonial tivesse havido mudanças mas a realidade é que não aconteceu por todos os motivos já muito badalados e que estão à vista. Se antes a descaracterização do centro histórico foi tal, em 10 anos ela continuou e foi intitulada de Avançar, sem diferença alguma face ao passado com a delapidação de arquiteturas, de calçadas e de património cultural de natureza variada e isto deve-se muito à falta do Plano de Pormenor do Centro Histórico, suspenso pelo executivo demonstrando claramente a falta de sensibilidade técnica e profissional para trabalhar nesta área. Através do termo “Reabilitar” desapareceram edifícios e foram adicionados mamarrachos nos sítios mais visíveis da cidade, que adjudicação atrás de adjudicação e de avisos atrás de avisos continuam sem utilidade pública à vista. Claro que nem tudo foi assim tão mau para todos pois agora o vila-realense é mais saudável, fazendo quilómetros a pé para andar numa cidade de comércio tradicional deserto, e percorrer uns meros Km para atravessar a cidade aprendendo assim a ter paciência no tráfego, pelo qual agradecemos, e assim emitir ainda mais gases poluentes para o ar pois as ruas foram afuniladas e o trânsito encaminhado para as mesmas ruas. Chama-se a isto Política de Descarbonizar, com mais espaços abertos, sem árvores e sem vida, que somente os apoiantes é que saíram a ganhar (sabe-se lá o quê!) e os restantes aprendem a conviver com esta realidade.

Como estamos a falar de uma escala temporal, vamos recuar até ao período Medieval de Vila Real, agora com um projeto anunciado de valorização do património deste período histórico mas só aquele que lhes convém, ou seja, o que selecionam para valorizar. Imagine-se que em boa luta pela preservação de um património embargaram uma obra (com a sua devida razão) e procederam à classificação patrimonial da Fonte do Cabo da Vila. Um gesto nobre de quem se preocupa com um património, mas as outras fontes que foram descobertas na Rua Marechal Teixeira Rebelo continuam à espera de tais gestos nobres! Dirão tudo a seu tempo e no seu plano que tarda a ser visto publicamente.

Para valorizar o velho Burgo Medieval, a Vila Velha, nada melhor que construir dentro da cerca medieval uma ponte pseudo-pedonal para o Meia-Laranja e com carros elétricos à mistura, sendo a melhor visão de valorização para ser concretizada nesse grande projeto de “Vila Real Medieval” e assim dar ênfase à história medieval da cidade! No entanto a Igreja Medieval de S. Dinis e a Capela de S. Brás ficam à espera que também sejam vistos como Património Medieval, independentemente de ser Classificado como Monumento Nacional. Dir-se-á que santos da casa não fazem milagres! Depois de danos causados na Calçada Medieval da Campeã, o tempo passou e com ele aprenderam e interiorizaram uma lição de história pois que também é para ser valorizado quando na altura ridicularizaram publicamente a existência de um Caminho Medieval que atravessa o Marão!

Valorizar a história local sim, mas com más intenções é que não!

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