Sábado, 25 de Maio de 2024
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Paulo Reis Mourão
Paulo Reis Mourão
Economista e Professor Universitário na Universidade do Minho. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Desafios económicos para a região num governo minoritário

É verdade que a maioria dos governos do período democrático em Portugal foram de minoria. É também verdade que, nesse período, a região do Interior Norte tem diminuído em termos de população, logo de votos, logo de importância eleitoral.

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Ainda assim, elejo três grandes desafios económicos para a região na corrente legislatura, dure ela o que durar.

Em primeiro lugar, a necessidade de investimento público. O investimento público que se vai tendo é o de manutenção, muito sob a alçada das autarquias ou da almofada dos programas comunitários (quando há boas candidaturas). Um ou outro município vai fazendo um ou outro pavilhão e arroteando um ou outro caminho. A maioria, com os recursos de que dispõe, vai distribuindo os paralelos das calçadas pelas freguesias, renova o manto de macadame nas portas de entrada e muda o lajedo e as flores das principais praças. Os quadros de pessoal técnico e administrativo – em concursos competitivos em que 200 concorrem para um lugar – vão envelhecendo a par das populações. O investimento público que queremos – já que não teremos um Aeroporto Internacional e posta de lado a ilusória ferrovia – é aquele que catapulta o investimento privado. Perguntem aos construtores civis o que conseguem fazer – tirando casas para casais novos de classe média alta ou alta, a maioria limita-se a mudar os telhados, a lavar frontarias e a responder a subempreitadas, relativamente a alguns fogos licenciados de dimensão média nos centros urbanos ou periurbanos. Os diretores dos parques industriais e tecnológicos dizem que tem havido renovação empresarial. Mas, pelos vistos, os resultados na região demoram a ser percebidos. Ou então o modelo de retenção de valor acrescentado deixa muito a desejar.

Depois, a região precisa de um turismo sustentado. Que deixe dinheiro e não lixo. Que impeça os operadores de aplicarem os lucros no litoral (onde vivem) ou em paraísos fiscais (para onde querem viver). Como sempre defendi, o turismo, com o seu ritmo transitório, faz com que a região seja uma espécie de ‘região de programa de fim de semana’, seja o programa televisivo, seja o programa em flyer. Se há quem goste de ser ‘garota de programa’, eu não gosto de ter a minha região como ‘região de programa’.

Todos sabem que a região é dependente do dinheiro da função pública. Logo, do Orçamento de Estado. No entanto, esta mesma função pública ainda deixa muito do mesmo rendimento fora da região – em propinas dos filhos que estudam fora, nas rendas respetivas, nas consultas de especialidade, nos pequenos luxos respondidos nos centros metropolitanos. Inverter esta tendência – levando a uma rede de Ensino Superior renovada na região, a Unidades de Saúde (públicas e privadas) de qualidade, mas também a uma redescoberta do valor da região é essencial para reduzir a sangria de gentes, de recursos e de dinheiro.

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