Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Gestão florestal

Esta semana, embora fosse adequado comentar o tema da aprovação do orçamento, que têm entretido a nossa comunicação social nestas duas últimas semanas, não iremos por aí.

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Parece-nos adequado, na sequência da posse dos novos eleitos locais, chamar à sua atenção para temas que andam, normalmente, afastados das preocupações de quem nos governa, mas que a nós nos parecem ter, nesta altura, uma enorme pertinência.

É que estando à disposição do nosso país, para investimento público (e privado) somas tão anormais, faz sentido lembrar algumas formas de as aplicar, tendo como finalidade gerar riqueza para o futuro.

Já por mais de uma vez trouxemos às páginas deste nosso Jornal a necessidade de rever a gestão florestal, sobretudo a que se refere ao aproveitamento dos terrenos baldios.

Lembro alguns dados para que se perceba do que estamos a falar. Não é preciso ser-se técnico em gestão florestal, bastará olhar em redor e observar com atenção os nossos meios rurais para se perceber que é reduzidíssima a área agricultada, mesmo incluindo uma ou outra mata de pinheiros ou carvalhos autóctones. Quando espraiámos o olhar, o que divisámos em todas as direções são extensões enormíssimas de terrenos abandonados.

Para se ter uma ideia da extensão das áreas de terreno que estamos a referir, basta dizer apenas que em grande parte destes nossos municípios, estas áreas representam mais de 70% da superfície dos respetivos concelhos.

Parece-nos por isso que, nesta altura, com a anunciada abundância de Fundos Comunitários, e extintos os Serviços Florestais, deveriam ser as Câmaras Municipais e as Juntas de Freguesias a assumirem um Projeto de Gestão Florestal, para intervir nestas imensas áreas abandonadas.

Para além de muitos outros benefícios, um projeto com estas caraterísticas criará postos de trabalho, – forma de garantir rendimentos e fixar as populações – e lembramos que as florestas são uma das formas mais eficazes de captar CO2, sendo oportuno referir que o país se comprometeu com a neutralidade carbónica, com metas para 2050, compromisso que será reafirmado na COP26 – Congresso Climático da ONU, que começa dentro de uma semana em Glasgow.

É uma tarefa para que desafiamos, poder e oposição. Somos necessários todos, impregnados de toda a nossa força, vontade e determinação, para recuperar esta paisagem inóspita em que deixámos cair a maior parte das nossas áreas rurais, aperfeiçoando os caminhos que nos levarão a um futuro com mais harmonia e desenvolvimento, ajudando na captação de carbono, a única forma conhecida de salvar o planeta terra.

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