Domingo, 22 de Maio de 2022

Passado dois anos

A pandemia ainda não acabou e já outro mal nos amedronta. A Guerra da Ucrânia!

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Dois anos passaram e foi de pandemia que se falou. Da desgraça que caiu sobre o mundo, não escolhendo ricos nem pobres, unindo todos e vitimando todos. Do confinamento e das zaragatoas ao álcool-gel às mascaras e pior… ao distanciamento.

Essa era a nossa atenção, que nos prendia aos telejornais, esses suportados em reportes e estudos. Essas eram as nossas notícias. Prendiam tudo e todos à procura de conforto e melhorias na luta contra este terrível vírus.

Mas já não é assim, a pandemia ainda não acabou e já outro mal nos amedronta. A Guerra da Ucrânia! Políticos dos mais importantes quadrantes internacionais, ainda de máscara posta e ar solene, voltam as conferências para anunciar sanções atrás de sanções a castigar Moscovo e a exortar Kiev.

Emocionamo-nos a falar da Ucrânia e, ao mesmo tempo, rogamos pragas a Putin. Arrepiamo-nos com as imagens em Mariupol, que tem ruas que até parecem as nossas e pessoas parecidas às nossas.

E ainda agora começou a guerra e outro mal nos assola, o aumento dos combustíveis. Efeitos que se começam a notar de forma impensável, e este, mal, está bem perto de nós. Estas escaladas de preço, não só dos combustíveis, como de todos os bens em geral, já nos tocam, já mexem no nosso “pé de meia”.

Dentro de dias, nós, cidadãos europeus de fina estampa – distantes das guerras, distantes dos países cinzentos, economicamente, vamos sentir o peso de uma guerra que esteve anos em lume brando à espera das melhores condições para espalhar o medo, miséria, acabando por expulsar quem lá habita.

Daqui a uns dias continuaremos a chorar pelas vítimas que morrem, outras que fogem, pelos soldados que combatem. Mas a nossa ira, a maior revolta é a diminuição do nosso “pé de meia” (quem ainda tiver…claro).

A guerra parece que matou o vírus, e como ela faz vítimas incontáveis, que daí a umas semanas serão números banais, como outras guerras mais distantes que já fomos assistindo.

Daí a umas (poucas) semanas, esquecemos a pandemia, esquecemos ou desvalorizamos a guerra da Ucrânia, e indignamo-nos, à sério, com o aumento do combustível em Portugal. E, ao mesmo tempo, descobrimos que a prioridade quase parece um sinónimo de proximidade.

Deixamos de agir, para só reagir. A nossa sociedade transformou-se. Deixou de construir para se limitar a seguir mecanicamente um rumo escuro.
Os políticos, as pessoas, o mundo estão tão entretidos neste emaranhado de problemas, não lhes sobrando tempo nem espaço para ser empreendedor, de apostar nos seus sonhos e ideias, nem para construir algo novo que catapultassem para mudar de vida.

E, assim, começou o primeiro trimestre de 2022.

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