Segunda-feira, 4 de Março de 2024
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Maria João Rodrigues
Maria João Rodrigues
Presidente da Associação Comercial, Industrial e Serviços de Bragança

2024 ainda não será um ano de viragem

Bragança, terra do interior transmontano, uma cidade onde a qualidade de vida é, sem dúvida, das melhores do país, não fosse a grande perda de população ativa que ao longo dos anos se tem verificado, muito pela falta de investimento em infraestruturas, capazes de fixar população ativa, nomeadamente, os jovens quer qualificados, quer jovens trabalhadores nas profissões base.

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O ano que se avizinha não será ainda o ano de viragem. No Orçamento do Estado para o próximo ano não se preveem grandes investimentos, nem eventos que promovam a região que nos ajudem a dar o salto, nem políticas fiscais diferenciadoras. Uma vez mais ficamos esquecidos nos corredores do poder político.

Temos um tecido empresarial constituído maioritariamente por microempresas, estamos inseridos numa zona de baixa densidade populacional, longe dos grandes centros urbanos, com empresas frágeis, muitas delas familiares, onde a indústria não é muito significativa, em que o nosso poder central não faz investimentos de grande envergadura, não faz uma diferenciação positiva fiscal que ajude a fixar a população ativa para inverter a tendência descendente que tanto nos aflige.

Existe um défice enorme de mão de obra na região, temos um Centro de Formação profissional que quando foi criado tinha a vertente de qualificar jovens nas profissões base das atividades económicas e que foi desmantelado na vertente que era mais importante, na qualificação dos jovens que não querem seguir o ensino universitário.

O nosso tecido económico sofre com o flagelo da falta de mão de obra qualificada e não qualificada, tornando-o menos competitivo e dificultando o seu crescimento. A Associação Comercial, Industrial e Serviços de Bragança trabalha arduamente na valorização do tecido económico local e na qualificação dos empresários e colaboradores, bem como na promoção externa do território. Mas não basta. Sem ajudas sérias muitas das nossas frágeis empresas vão encerrar as portas e o fosso que já é grande vai crescer.

O problema de sobrepovoamento das grandes cidades do litoral resolve-se a montante,
no interior. Já era tempo dos governantes perceberem isso.

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