Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2024
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Mauro Gonçalves
Mauro Gonçalves
Presidente da Associação dos Industriais do Granito

A Indústria do Granito e os desafios futuros

Na qualidade de presidente da Associação dos Industriais do Granito, é com grande entusiasmo que partilho a minha profunda paixão por um setor que não apenas moldou a paisagem da nossa região, mas também impulsionou o nosso crescimento económico, proporcionando oportunidades sem precedentes.

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Desde 2017, o setor de rochas ornamentais tem demonstrado um notável crescimento, com uma média anual de cerca de 10%. Estes números são verdadeiramente impressionantes e posicionam a nossa indústria no mesmo patamar de crescimento do turismo, que é um pilar fundamental da nossa economia.

No entanto, apesar da nossa bem-sucedida trajetória, enfrentamos desafios significativos em 2023 e 2024. A recessão na zona euro, sobretudo na Alemanha, bem como os conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente, têm tido um impacto direto nas nossas exportações, resultando numa considerável desaceleração do crescimento económico e nas nossas perspetivas de exportação.

Além dos desafios globais, também enfrentamos um conjunto de desafios regionais e nacionais que afetam a nossa capacidade de crescimento e sustentabilidade. A falta de mão de obra qualificada é uma barreira ao desenvolvimento, enquanto a desertificação representa uma ameaça para a nossa comunidade. Os fundos europeus, embora úteis, não estão a ser dimensionados adequadamente para as empresas do interior, que merecem mais incentivos e um processo burocrático mais ágil. A ausência de escolas técnico profissionais impede o desenvolvimento de talento e a retenção desses jovens nas nossas empresas e comunidades.

Um dos desafios mais prementes para a nossa indústria é a questão dos combustíveis, uma vez que consumimos quantidades exorbitantes desse recurso. Não temos acesso a combustível profissional a preços justos, como os nossos vizinhos espanhóis, que o utilizam há anos a cerca de metade do preço convencional. Além disso, as alternativas sustentáveis ainda não são eficazes nem eficientes.

Devemos olhar para a indústria do granito não apenas como uma fonte de negócios, mas como um elemento vital da nossa identidade regional. É imperativo que continuemos a ser um polo de excelência e um farol dinamizador de Trás-os-Montes.

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